Nossa Senhora da Vitória de Oeiras: 320 anos de devoção no Sertão de Dentro

Por Junior Vianna*

Das vivências portuguesas apregoadas nas terras do nordeste brasileiro, a devoção á Virgem Maria, é uma das mais significativas. As investidas do colonizador foram favoráveis para que junto as suas pretensões patrimoniais se fizesse erguer inúmeras ermidas onde muitas destas eram em devoção mariana, motivações respaldadas na fé e no zelo pela heraldicidade das tradições cristãs advindas do reino.

Celebrada nas mais distintas condições e denominações, Maria Santíssima tornou-se figura presente no cotidiano de inúmeros aventureiros. Foi nesse contexto, que na ousadia de conquistar os sertões profundos não tardou em ser edificada a Freguesia de Nossa Senhora da Vitória (no singular!), a mesma devoção introduzida por Dom João I, Mestre de Avis, para comemorar a vitória na Batalha de Aljubarrota na qual lhe sagrou Rei de Portugal.

A devoção mariana no Vale do Canindé deu-se por iniciativa da itinerância apostólica de Miguel de Carvalho que sob a regência pastoral de Francisco de Lima, lhe credenciou a missão de criar uma Paróquia no cerne das glebas pecuaristas do Piauí nascente. Destarte, depois de prestigiada assembleia de predicada fidalguia na Fazenda Tranqueira, fez-se do Brejo do Mocha o local para a edificação da aludida freguesia.

A Paróquia de Nossa senhora da Vitória consagrada no dia 02 de março de 1697, cerceava-se da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Cabrobó única povoação dos sertões de Rodelas oficializada pela Coroa até então. Distante aproximadamente 72 léguas do paroquiato cabroboense a nova jurisdição eclesiástica viria desta forma torna-se núcleo embrionário da futura vila do Mocha e cidade de Oeiras do Piauí.

Antigamente, certamente desde o vicariato de Tomé de Carvalho, a festividade em honra a padroeira do lugar era realizada na ocasião da Solenidade da Santíssima Trindade, celebrada sempre no primeiro domingo depois de Pentecostes. No entanto, desde a década de 50 do século XX, a festividade passou a ocorrer no dia 15 de agosto, dia no qual antes os oeirenses festejava Santo Antônio em virtude de ser a data de seu natalício.

O Festejo de Nossa senhora da Vitória foi modificada pelo então Bispo da Diocese de Oeiras, Dom Expedito Lopes, que em consonância com a constituição apostólica Munificentissimus Deus, decretada pela infalibilidade do Papa Pio XII, passou a validar a Assunção de Maria como um dogma, estabelecendo dessa forma sua elevação aos Céus em corpo e alma.

Primaz e excelsa patrona do sertão do Piauí desde século XVII, Nossa Senhora da Vitória foi proclamada padroeira dos piauienses no ano de 1997 pelo Papa João Paulo II, momento em que se comemorava o tricentenário da criação da Freguesia do Brejo do Mocha.

Enfim, eis a Oeiras jubilosa que nasceu sob as bênçãos de Nossa Senhora da Vitória, cidade mariana, referência para o surgimento de tantas outras cidades marcadas pela afetiva ligação com a Igreja Católica e Vitória do Piauí por ter a Virgem da Vitória como sua protetora.

*Junior Vianna – Professor, historiador e atual Presidente do IHO.

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